Uma noite de emoção, reconhecimento e valorização da cultura marcou a abertura da exposição fotográfica “Lã-Memória: entre fios, mãos e ancestralidade”, realizada na sexta-feira, 30 de outubro, no Sesc São Joaquim. O encontro homenageou a trajetória da artesã Serli Lima Pereira e destacou a importância de preservar os saberes tradicionais ligados ao trabalho com a lã de ovelha na Serra Catarinense.
Convidados, representantes da cultura e pessoas que acompanharam a caminhada da artesã participaram da cerimônia. Além disso, relatos e apresentações artísticas reforçaram o significado da memória afro-serrana e o papel das mulheres na transmissão de conhecimentos entre gerações.
Das mãos de Serli nascem peças e histórias
Há décadas, Serli transforma a lã de ovelha em cobertas, mantas e outras peças. O processo exige técnica e paciência: começa com a lavagem e a preparação das fibras e segue até a tecelagem e a costura. Assim, cada criação representa não apenas um objeto artesanal, mas também a história de quem aprendeu e manteve vivo esse ofício.
A exposição apresenta fotografias do cotidiano da artesã e das etapas de produção. Ao mesmo tempo, chama a atenção para um desafio: o risco de desaparecimento desses saberes diante da diminuição do interesse das novas gerações pela tecelagem tradicional.
Relatos e homenagens marcam a abertura da exposição
Entre as participantes esteve Solange Pagani, que acompanhou o início do trabalho de Serli quando atuava na área social. Ela relembrou a importância da associação das artesãs, que abriu caminhos para a divulgação das peças e proporcionou oportunidades de viagens e apresentações fora de São Joaquim.
A professora e historiadora Maria de Lourdes Hugen também participou do encontro. Sua contribuição ressaltou o valor histórico dos conhecimentos preservados pelas mulheres e sua relação com a identidade cultural do município.
Na sequência, a diretora de Cultura, Maria Alice de Souza, destacou a importância do reconhecimento dos agentes culturais. Já o curador e produtor executivo, Cassiano Suhre da Rosa, abordou o papel das políticas públicas na valorização da arte, na economia local e na preservação da memória.
A programação contou ainda com uma intervenção de dança de Suelen Amaral. A apresentação acrescentou movimento e sensibilidade à cerimônia, aproximando diferentes linguagens artísticas.
Memória afro-serrana e acessibilidade
Além de reconhecer uma trajetória individual, “Lã-Memória” dá visibilidade à contribuição das mulheres negras para a cultura da Serra Catarinense. Dessa forma, a mostra convida o público a refletir sobre o que pode se perder quando práticas e conhecimentos deixam de ser transmitidos.
Outro destaque é a acessibilidade comunicacional. As fotografias contam com audiodescrição disponibilizada por QR Codes, ampliando o acesso de pessoas com deficiência visual à experiência artística.
Exposição gratuita segue até 30 de novembro
A visitação à exposição “Lã-Memória: entre fios, mãos e ancestralidade” permanece aberta até 30 de novembro de 2026, no Sesc São Joaquim, com entrada gratuita.
- Exposição: Lã-Memória: entre fios, mãos e ancestralidade
- Local: Sesc São Joaquim, Santa Catarina
- Visitação: até 30 de novembro de 2026
- Entrada: gratuita
- Artesã homenageada: Serli Lima Pereira
- Curadoria e produção executiva: Cassiano Suhre da Rosa
- Acessibilidade: audiodescrição por QR Codes
A iniciativa tem apoio do Sesc São Joaquim e é executada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.







