Agentes da Polícia Civil do Amazonas cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência da professora Maria do Carmo (PL), localizada no bairro Vieiralves, na zona sul de Manaus, durante a manhã desta sexta-feira (6). A ex-candidata ao governo do estado é investigada por suposta participação na divulgação e manipulação de imagens da filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD) em plataformas digitais.
Decisão judicial e antecedentes
A operação policial ocorreu após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) derrubar uma liminar que mantinha a ordem de busca suspensa. O despacho foi emitido pelo desembargador Paulo Feitoza, que restabeleceu a permissão para a realização da diligência no imóvel da investigada, fundamentando que a medida era indispensável para assegurar a preservação de evidências digitais que corriam o risco de ser apagadas ou alteradas.
O caso teve início após o avanço de apurações conduzidas pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), que investiga possíveis infrações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O escândalo ganhou grande visibilidade quando Omar Aziz criticou publicamente, logo após sua vitória nas urnas, os ataques direcionados à sua filha, prometendo acionar os órgãos judiciais competentes contra os culpados.
Tramitação do inquérito e mudanças na equipe
Anteriormente, em 29 de outubro, equipes policiais já haviam cumprido mandados em locais vinculados à campanha de Maria do Carmo, ocasião em que ela negou ter sido alvo das investidas. No dia seguinte, a defesa conseguiu uma liminar favorável argumentando que a cliente havia comparecido de forma espontânea à delegacia para colaborar com as autoridades e disponibilizar seus dispositivos eletrônicos.
Paralelamente ao andamento processual, a condução do caso passou por alterações estruturais na segurança pública. Na quarta-feira (4), o delegado Marcelo Martins foi designado pela Delegacia Geral da Polícia Civil para somar esforços à equipe da Depca, acumulando a função com a titularidade do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
A defesa de Maria do Carmo tentou contato com representantes legais durante a execução da medida desta sexta-feira, mas um advogado presente no local declarou que apenas se manifestaria após o encerramento do trabalho policial. Cabe ressaltar que o habeas corpus impetrado pelos defensores ainda passará por julgamento de mérito, uma vez que a recente liberação das buscas não encerra o processo.







