O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como o nome do PL para a disputa presidencial de 2026, declarou que optou por não voltar ao Brasil para “não cometer o mesmo erro” de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar está nos Estados Unidos desde o final de outubro e justificou sua permanência no exterior como uma reação direta ao cenário político e judicial brasileiro.
Críticas ao retorno do pai e comparação de cenários
De acordo com o parlamentar, que falou a jornalistas de um espaço de coworking em Miami, Jair Bolsonaro retornou ao país em 2023 por acreditar que teria acesso a um julgamento imparcial, o que o filho classificou como uma decisão equivocada. O senador afirmou que aprendeu com os acertos e deslizes da trajetória do ex-presidente e reforçou sua decisão de permanecer fora do território nacional.
“Depois, essa farsa do 8 de Janeiro, que a gente sabe foi toda fabricada para tirá-lo [Jair Bolsonaro] da vida pública. Ele vai para os Estados Unidos e volta por saber que é inocente, acreditando que ia passar por um processo justo. Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, afirmou.
Questionado sobre o motivo de não enfrentar os tribunais para provar sua inocência, o senador argumentou que sua situação jurídica é diferente da enfrentada por outros líderes políticos no passado. Ele pontuou que o atual presidente Lula teve condenações anteriores revertidas pelas instâncias superiores, enquanto seu pai teria sido tornado inelegível devido a manifestações públicas e reuniões institucionais, sem ter cometido crimes.
Mandato remoto e ausência de detalhes sobre a viagem
Mesmo residindo temporariamente no exterior, Flávio garantiu que não vai renunciar à sua cadeira no Senado Federal e pretende conduzir suas funções parlamentares de maneira totalmente remota. Por outro lado, o político evitou fornecer detalhes sobre a logística de sua saída do Brasil, recusando-se a comentar sobre financiamentos ou possíveis apoios de terceiros.
A decisão de deixar o país ocorreu após o recebimento de intimações da Polícia Federal e de avisos sobre restrições de viagens. O senador alegou que manteve sigilo sobre seus interlocutores para proteger pessoas de seu círculo íntimo contra possíveis retaliações no território brasileiro.
“O Brasil não vive uma democracia plena. Qualquer pessoa do meu entorno vai ser perseguida. Essa eleição foi tomada pelo sistema contra mim. É por isso que estou aqui, porque no Brasil não há o que fazer. Aqui na América, eu tenho liberdade de me manifestar, não vou receber uma visita ilegal da polícia do governo para me perseguir, para revirar a gaveta de calcinha da minha filha. Eu não vou me submeter a isso. Não vou legitimar processo ditatorial comandado pelo Alexandre de Moraes”, declarou.
Projetos eleitorais e divergências com aliados
Durante a entrevista, o parlamentar admitiu publicamente que não dispõe de provas concretas sobre fraudes nas urnas eletrônicas, argumentando que a apuração sobre o tema é barrada no país. Mesmo assim, confirmou que o seu partido apresentará um pedido de cassação da chapa governista sob a acusação de abuso de poder econômico na última disputa presidencial.
Apesar de atritos públicos com figuras importantes da direita, como o governador paulista Tarcísio de Freitas, Flávio minimizou os desentendimentos e afirmou que tais divergências fazem parte do debate democrático. O senador também projetou seus passos futuros, sinalizando que pretende concorrer ao cargo máximo do Executivo nacional em 2030, caso seu pai permaneça com os direitos políticos suspensos.







