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Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña

Queda ocorre após colapso do Ueno Bank e perda de apoio político do Partido Colorado no país vizinho.

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Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após escândalo no Ueno Bank
Santiago Peña é formado em economia e deu aula em universidade — Foto: Santiago Peña/@santipenapy/Instagram

O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña, na esteira de uma grave crise financeira desencadeada pelo fechamento do Ueno Bank. Horas antes da votação decisiva, os parlamentares rejeitaram um requerimento apresentado pela defesa do governante, que solicitava mais tempo para a preparação dos argumentos.

Fim da imunidade e investigações criminais Com a destituição aprovada pelo plenário, o líder conservador perdeu a imunidade parlamentar. A medida abre caminho imediato para o avanço de investigações criminais conduzidas pela Procuradoria-Geral, relacionadas a fraudes milionárias que resultaram no congelamento de depósitos no sistema financeiro nacional.

Além de perder o cargo máximo do Executivo, o ex-presidente sofreu outra consequência jurídica severa. Como o processo de impeachment foi consumado antes que uma eventual renúncia fosse formalizada, ele não terá direito ao posto de senador vitalício, ficando totalmente exposto aos processos judiciais por suspeitas de interferência indevida e irregularidades financeiras.

Queda histórica e isolamento político A saída antecipada de Santiago Peña marca um fato raro na história recente do país, tornando-o o terceiro presidente paraguaio a não concluir o mandato desde o término da ditadura de Alfredo Stroessner. Economista e filiado ao Partido Colorado, que mantém hegemonia de quase sete décadas no poder, ele havia assumido o Palácio de López em agosto de 2023.

Entretanto, a pressão insustentável da crise política levou o próprio partido e seu principal aliado, o ex-presidente Horacio Cartes, a abandonarem a base de sustentação do governo, selando o destino do mandato presidencial no Congresso.

O fator Ueno Bank e a gestão de recursos O epicentro da derrocada política foi o colapso do Ueno Bank, considerado a principal instituição financeira digital do país, com uma base de 2,9 milhões de clientes afetados pelo congelamento de valores e consequentes protestos nas ruas. O banco gerenciava aproximadamente R$ 4,5 bilhões em verbas públicas, um volume financeiro que motivou forte repercussão na imprensa local, onde o caso passou a ser chamado de “Master paraguaio”.

Durante as investigações sobre o colapso, opositores acusaram Peña de atuar para beneficiar o Grupo Vázquez e de omissão na fiscalização exercida pelo Banco Central, cujo comando estava sob responsabilidade de um aliado indicado diretamente por ele. Com o afastamento definitivo, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do governo paraguaio.

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