O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), após um escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank causar intensa pressão política e ameaças de impeachment. A situação levantou sérias dúvidas sobre a relação entre o sistema bancário e o governo.
O escândalo do Ueno Bank
A crise do Ueno Bank está centrada em suspeitas de operações de crédito irregulares e vínculos empresariais de Peña com o grupo controlador do banco. Estima-se que cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos estejam envolvidos, gerando uma onda de indignação e manifestações entre os correntistas.
O Ueno Bank, que conta com quase 3 milhões de clientes, teve suas atividades suspensas após uma intervenção do Banco Central paraguaio. Esta ação foi motivada por investigações que apontaram irregularidades nas operações da instituição e falhas na documentação dos empréstimos concedidos.
Antecedentes da crise
O Ueno Bank, sob controle do Grupo Vázquez, havia se destacado no setor financeiro paraguaio, mas enfrentou crescente escrutínio sobre a qualidade de seus empréstimos e sua saúde financeira. O Banco Central identificou operações de crédito somando aproximadamente US$ 146 milhões, vinculadas a empresas do grupo controlador, entre setembro de 2025 e maio de 2026.
Na última semana, a situação se agravou quando o Banco Central constatou que o índice de solvência do Ueno havia caído para menos da metade do mínimo exigido. Como resultado, as operações do banco foram interrompidas, deixando muitos clientes sem acesso aos seus recursos.
Conexões de Santiago Peña com o Ueno Bank
A relação de Santiago Peña com o grupo controlador do Ueno Bank tem gerado questionamentos significativos. Antes de assumir a presidência em agosto de 2023, Peña foi acionista do Grupo Vázquez, tendo se desvinculado em março de 2025. No entanto, sua ligação anterior com a instituição levantou suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse.
Outro fator complicador foi a atuação de Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central, que tinha uma ligação direta com o Ueno. O pedido de demissão de Carvallo, feito por Peña em meio à crise, aumentou ainda mais a pressão sobre o governo.
O papel do dinheiro público na crise
Um dos aspectos mais alarmantes da crise é o montante significativo de recursos públicos depositados no Ueno Bank. Aproximadamente US$ 850 milhões pertencem a órgãos públicos, incluindo o Instituto de Previdência Social (IPS). A exposição do IPS ao Ueno foi avaliada em cerca de US$ 380 milhões, levantando preocupações sobre a segurança dos investimentos públicos em meio à crise financeira.
Desdobramentos legais e políticos
O escândalo já resultou na detenção de oito pessoas ligadas à administração do banco, incluindo seu fundador, Miguel Vázquez. No total, 27 pessoas foram formalmente acusadas em investigações que apuram irregularidades financeiras e operações de crédito prejudiciais ao sistema financeiro.
Paralelamente, a crise afetou a estabilidade política de Peña, que enfrentou pedidos de impeachment tanto por parte da oposição quanto de membros do próprio Partido Colorado. A situação se agravou com a retirada do apoio do ex-presidente Horacio Cartes, resultando na renúncia de Peña.
Apesar de sua saída do cargo, o presidente não assumiu responsabilidade direta pelas irregularidades do Ueno Bank, enfatizando que sua prioridade era proteger os recursos públicos e garantir a devolução dos depósitos aos correntistas. O vice-presidente Pedro Alliana é o nome mais cotado para sucedê-lo, enquanto a formalização da renúncia de Peña dependerá do Congresso paraguaio.







