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Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai em meio a crise

Ex-presidente busca proteção legal ao abandonar o cargo, segundo especialistas.

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Santiago Peña tentou se blindar da Justiça com renúncia, diz Ariel Palácios
Foto: Reprodução/g1 Economia

Em uma manobra para evitar consequências jurídicas, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política e econômica no país. A decisão foi vista como uma tentativa de se resguardar de um processo judicial relacionado ao fechamento do banco digital Ueno, que deixou um rastro de insatisfação entre os cidadãos.

Motivos da renúncia

A decisão de Peña, conforme destacou o comentarista Ariel Palácios, visa garantir seu foro privilegiado. Ao renunciar, ele se torna um senador vitalício, o que o protege de processos judiciais enquanto não for condenado em um julgamento político. Esta estratégia é possível devido à Constituição do Paraguai, que concede essa proteção aos ex-presidentes.

Impeachment em andamento

Porém, a tentativa de Peña de se proteger foi frustrada rapidamente. A Câmara de Deputados do Paraguai decidiu prosseguir com o impeachment e rejeitou a sua carta de renúncia. Oposição e aliados do governo concordaram que aceitar a renúncia would permitir que Peña escapasse do julgamento pela Justiça comum, o que gerou preocupações sobre a impunidade.

Críticas e consequências da crise bancária

A crise bancária que assolou o Paraguai, originada pelo fechamento do Ueno, gerou um clima de incerteza e revolta entre a população. Santiago Peña, que atuou como acionista do grupo controlador do banco, enfrentou severas críticas, principalmente após a acusação de que o Banco Central do Paraguai encobriu irregularidades relacionadas à instituição.

As palavras de Peña

Ao revelar sua decisão, Peña se dirigiu à população em um vídeo, expressando suas desculpas pela crise. Ele enfatizou que a renúncia foi motivada pela necessidade de “pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”. O ex-presidente se disse convicto de que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.

Próximos passos

Com a renúncia de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume a presidência, embora também seja alvo do processo de impeachment. O futuro político do Paraguai permanece incerto, e a situação exige atenção redobrada das autoridades e da população, que anseia por um desfecho que traga estabilidade ao país.

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