Os preços do boi gordo seguem em alta, mas a intensidade desse aumento está diminuindo, conforme mostram as últimas análises do setor. O volume de negócios, no entanto, apresenta uma melhora significativa.
Fluidez nas negociações
Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, destaca que a maior agilidade nas transações tem possibilitado que os frigoríficos atendam suas necessidades imediatas, mesmo diante da escassez de animais prontos para o abate.
“As escalas de abate permanecem, em geral, entre cinco e seis dias úteis, preservando o potencial para novos reajustes no curto prazo, embora com menor urgência nas compras”, afirma o especialista.
Impactos do mercado internacional
Iglesias ressalta que os agentes do mercado estão atentos ao comportamento da China, que influencia as negociações internacionais e a retomada das compras. “A gestão da cota chinesa permanece como possível limitador de movimentos mais agressivos, ao distribuir os volumes e reduzir a concentração dos embarques”, contextualiza.
Consumo interno
No cenário doméstico, fatores como a chegada dos salários e o 13º salário, além das festividades do final do ano, tendem a estimular o consumo. Contudo, a carne bovina enfrenta desafios, já que sua competitividade em relação ao frango e aos cortes suínos continua reduzindo a margem para aumentos de preços mais significativos.
Preços médios da arroba do boi
Os preços médios da arroba do boi nas principais regiões são os seguintes:
– São Paulo: R$ 392,78 (ontem: R$ 391,75)
– Goiás: R$ 377,14 (ontem: R$ 376,25)
– Minas Gerais: R$ 385,18 (ontem: R$ 385,29)
– Mato Grosso do Sul: R$ 382,84 (ontem: R$ 382,61)
– Mato Grosso: R$ 368,18 (ontem: R$ 367,64)
Mercado atacadista
No atacado, os preços da carne bovina se mantêm estáveis. Os valores são:
– Quarto dianteiro: R$ 22,50 por quilo
– Quarto traseiro: R$ 29,50 por quilo
– Ponta de agulha: R$ 21,00 por quilo
Iglesias observa que a expectativa da entrada de salários na economia na primeira quinzena de novembro deve facilitar a reposição entre atacado e varejo, o que pode oferecer suporte nas negociações a curto prazo. “Ainda assim, a maior competitividade da carne de frango e dos cortes suínos continua limitando o espaço para reajustes mais intensos”, completa.
Câmbio
Em relação ao câmbio, o dólar comercial teve uma queda de 0,65%, sendo negociado a R$ 5,4502 para venda e R$ 5,4482 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,4497 e R$ 5,4977.
Os sinais de desaceleração no crescimento dos preços do boi gordo indicam uma fase de ajuste no mercado, que precisa acompanhar tanto as condições internas quanto as influências externas.







