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Torcedor viaja 17 dias de moto para ver o Avaí no Nordeste

Aposentado percorreu mais de 7 mil quilômetros e enfrentou diversos problemas na estrada para acompanhar o clube catarinense.

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Torcedor viaja 17 dias de moto para acompanhar o Avaí na luta contra o rebaixamento
Torcedor do Avaí foi de moto de Florianópolis a Recife — Foto: Arquivo Pessoal

Um torcedor do Avaí decidiu cruzar o país de motocicleta para acompanhar a equipe em partida contra o Náutico, realizada no Estádio dos Aflitos, em Recife. A jornada épica exigiu semanas de estrada e muita superação diante dos desafios do percurso.

De Florianópolis ao Nordeste

O aposentado Edson Vilarino saiu de Florianópolis no dia 20 de outubro pilotando uma moto de 650 cilindradas. No total, a empreitada durou 17 dias, somando mais de 7 mil quilômetros entre ida e volta, com paradas estratégicas para descanso e alimentação.

“Me aposentei há dois anos e um dos objetivos era esse: ir atrás do Avaí de moto. Desde então, já rodei mais de 60 mil quilômetros por Santa Catarina e outros estados. Este ano resolvi fazer uma maior, porque sempre quis conhecer o Nordeste. Sabia que seria cansativo, uma viagem problemática. Exige muita coisa, inclusive um pouco de sorte, porque tu passa por muitas estradas boas, mas também ruins. Foram 7 mil quilômetros e alguns perrengues, mas faz parte. Eu fui pelo Litoral, uma rota um pouco mais longa, de cerca de 3.900 quilômetros. Fui parando para descansar e conhecendo algumas cidades. Na volta, foram cerca de 3.300 quilômetros. Voltei pelo interior, conhecendo o interior de Minas. As estradas não eram boas, mas a paisagem compensou”, contou o torcedor.

Perrengues na estrada e solidariedade

Durante o trajeto, o avaiano enfrentou trânsito intenso, rodovias bloqueadas por acidentes e situações inusitadas que testaram sua paciência. Próximo a Alagoas, a placa da motocicleta caiu e ele precisou arriscar o trecho final até a capital pernambucana sem a identificação após não conseguir resolver o problema em Maceió.

“Quase chegando em Alagoas, a placa da minha moto caiu. Um caminhoneiro me alertou. Eu voltei para procurar e não achei de jeito nenhum. E tu não pode rodar sem placa. Entrei em Maceió para tentar resolver e não consegui. Tive que arriscar indo até Recife sem placa, mas no fim deu tudo certo”, revelou.

No retorno, o risco foi de pane seca pelo interior mineiro, situação evitada graças à ajuda de moradores locais na cidade de Pirapora.

“Eu sempre paro para abastecer quando a moto ainda tem 110 km de autonomia. Passei por um posto, mas, como não tinha bandeira, decidi seguir para abastecer no próximo. O problema é que esse posto não chegou nunca… Minha moto entrou na reserva, rodei mais 30 quilômetros e nada. Encontrei um senhor saindo de uma rua de terra e pedi informação sobre o próximo posto. Ele respondeu que ficava a 70 km dali, mas que poderia ajudar. Os moradores da própria comunidade me arrumaram dois litros. Comprei por 15 reais e segui viagem. Os caipiras salvaram minha vida com essa gentileza”, disse.

Para complicar ainda mais o cenário, os últimos quilômetros foram marcados por problemas de saúde decorrentes de uma intoxicação alimentar.

“Essa reta final foi realmente complicada. Passei muito mal, parei para vomitar muitas vezes. Os últimos 500 km foram um terror”, declarou.

Fim da linha em campo e paixão inabalável

A chegada a Recife ocorreu em 29 de outubro, dois dias antes do confronto. Em campo, contudo, o Avaí acabou derrotado por 1 a 0, resultado que deixou a equipe em situação crítica na luta contra o rebaixamento na Série B.

“Faltou mesmo a cereja do bolo, que era a vitória. Fico chateado por voltar com o virtual rebaixamento na bagagem, mas feliz pela missão cumprida. Torcedor de verdade não abandona nunca”, completou.

Apesar do desgaste físico e do desfecho esportivo desfavorável, o torcedor concluiu a viagem e já se prepara para seguir apoiando o clube catarinense nos próximos compromissos.

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