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Prefeitura alerta para riscos de doenças durante as enchentes em Lages

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Prefeitura alerta para riscos de doenças durante as enchentes em Lages
Foto: Reprodução/Prefeitura de Lages (ponte)

Diante dos alagamentos provocados pelas fortes chuvas dos últimos dias em Lages, a Secretaria Municipal da Saúde alerta a população sobre os riscos à saúde durante o período de enchentes. A recomendação é evitar o contato e a circulação por áreas alagadas, tanto pela possibilidade de contaminação da água quanto pelos perigos de acidentes e afogamentos. Mesmo em locais onde a profundidade parece pequena, a presença de obstáculos encobertos podem representar riscos.

A situação ocorre em um momento de mobilização das equipes municipais para atender a população atingida. A prefeita Carmen Zanotto decretou situação de emergência no município na última quinta-feira (5 de novembro), após os danos provocados pelas chuvas intensas. Na manhã deste sábado (7), novos alagamentos e enxurradas mobilizaram a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e as equipes das secretarias municipais.

Em aproximadamente seis horas, foram registrados 95 milímetros de chuva, além de mais de 75 ocorrências relacionadas aos temporais, aproximadamente 15 pontos de alagamento e cerca de 300 pessoas afetadas, conforme balanço parcial divulgado pela Defesa Civil. “Nossa prioridade neste momento é cuidar das pessoas, garantir a segurança das famílias e prestar todo o auxílio necessário a quem foi atingido pelas chuvas. Pedimos que a população respeite as orientações da Defesa Civil, não tente atravessar áreas alagadas e evite qualquer situação que possa colocar vidas em risco. Todas as equipes estão mobilizadas para atender as ocorrências e prestar assistência às famílias”, destaca a prefeita Carmen Zanotto.

Água das enchentes pode transmitir doenças

Além dos riscos de acidentes, a água das enchentes pode conter esgoto, urina de animais e microrganismos causadores de doenças. O contato com a água ou com a lama contaminada pode provocar infecções, entre elas a leptospirose. Também existe risco de doenças transmitidas pelo consumo de água e alimentos contaminados, como hepatite A e doenças diarreicas.

Por isso, a orientação é não entrar em áreas inundadas, não atravessar ruas encobertas pela água, seja a pé ou com veículos, e manter crianças afastadas desses locais. A população também deve evitar qualquer contato desnecessário com a água das enchentes, mesmo quando não houver sinais visíveis de sujeira ou contaminação.

Cuidados com a água para consumo

Outro cuidado importante é com a água utilizada para beber e preparar alimentos. Em situações de enchentes, poços, reservatórios e sistemas de abastecimento podem ser comprometidos pela contaminação. Se houver suspeita de que a água foi contaminada, a orientação, de acordo com o Ministério da Saúde, é filtrá-la com filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo e, em seguida, fervê-la durante cinco minutos, contados a partir do início da fervura.

Esse é o método preferencial para o tratamento da água de consumo humano. Quando a fervura não for possível, pode-se utilizar hipoclorito de sódio a 2,5%, seguindo a dosagem indicada: duas gotas para cada litro de água, com tempo de espera de 30 minutos antes do consumo.

Alimentos e medicamentos exigem atenção

Alimentos que tiveram contato com a água ou a lama da enchente devem ser descartados, mesmo aqueles que estejam em embalagens fechadas, plásticas ou latas. Frutas, verduras e legumes atingidos pela inundação também não devem ser aproveitados.

Medicamentos que ficaram molhados ou úmidos podem ter sua qualidade e eficácia comprometidas e não devem ser utilizados. Os remédios de uso contínuo e suas receitas devem ser mantidos em locais altos e secos, protegidos de novas inundações.

Cuidados ao fazer a limpeza de casas e quintais

Quando houver condições seguras para o retorno às residências e a realização da limpeza, alguns cuidados serão indispensáveis. A retirada da lama e a higienização dos ambientes devem ser feitas com proteção adequada, utilizando botas e luvas de borracha. Na falta desses equipamentos, recomenda-se o uso de sacos plásticos resistentes como proteção provisória para mãos e pés, devidamente fechados.

Depois da retirada da lama, pisos, paredes e bancadas devem ser lavados e desinfetados com uma solução preparada com 400 mililitros de água sanitária a 2% ou 2,5% em 20 litros de água. O produto deve conter apenas hipoclorito de sódio e água, sem perfume ou outros componentes adicionados.

Se a caixa-d’água ou o sistema de abastecimento tiver sido afetado pela enchente, será necessário realizar a limpeza e a desinfecção antes de voltar a utilizar a água para consumo. O procedimento deve seguir as orientações específicas para reservatórios.

Em caso de ferimentos, os machucados devem ser limpos, protegidos com curativos e avaliados por um profissional de saúde quando necessário. Também é importante verificar se a vacinação contra o tétano está em dia, especialmente em situações de cortes ou perfurações provocados por entulhos.

Atenção aos sintomas e aos animais peçonhentos

Nos dias ou semanas seguintes ao contato com a água da enchente, a população deve observar o aparecimento de sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares (especialmente nas panturrilhas), diarreia, vômitos ou pele e olhos amarelados. Esses sinais precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Ao procurar atendimento, é importante informar que houve contato com água ou lama de enchente, pois essa informação ajuda a equipe a avaliar a possibilidade de doenças como a leptospirose e a definir a conduta adequada. Em caso de sintomas, a orientação é procurar uma unidade de saúde sem demora.

Outro cuidado importante é com animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões, que podem sair de seus esconderijos durante as inundações e procurar abrigo em locais secos, roupas, calçados e móveis. Antes de utilizar esses objetos, é necessário inspecioná-los cuidadosamente. Em caso de picada, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente, sem amarrar o membro atingido nem tentar sugar o veneno.

A Secretaria Municipal da Saúde reforça que a prevenção e a atenção às orientações dos órgãos oficiais são fundamentais para proteger a população durante esse período e também nos dias seguintes, quando começam os cuidados com os locais atingidos. Em caso de dúvidas ou sintomas, a recomendação é procurar o serviço de saúde mais próximo.

Abrigo e doações

As famílias que precisarem deixar suas residências em razão dos alagamentos podem buscar acolhimento no Ginásio Jones Minosso, no bairro Universitário. O espaço permanece preparado para receber os atingidos, e as atividades esportivas estão temporariamente suspensas.

A Prefeitura também segue recebendo doações para auxiliar as famílias afetadas. A campanha coordenada pela Secretaria da Assistência Social arrecada alimentos não perecíveis, produtos de limpeza e roupas em boas condições de uso. As entregas devem ser feitas na Praça do CEU, ao lado do Ginásio Jones Minosso, onde os donativos passam por triagem e organização antes de serem encaminhados às famílias.

Texto: Silviane Brum

Fotos: Fábio Pavan

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