O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5) em meio a uma crise bancária que afetou milhares de cidadãos. Ele é acusado de conivência na falência do banco digital ueno, que bloqueou contas de seus clientes e do qual era acionista.
Desdobramentos da crise política
Nesta manhã, o Congresso paraguaio começou a discutir um pedido de impeachment contra Peña e seu vice, Pedro Alliana. Porém, horas após o início das deliberações, o presidente apresentou sua carta de renúncia. A Câmara, por sua vez, decidiu não aceitar a renúncia e continuou com o processo de impeachment, com votação unânime a favor. O impeachment do vice-presidente, Alliana, foi rejeitado, permitindo que ele assuma a presidência interinamente.
O comentarista Ariel Palacios, especialista em América Latina, destacou que a renúncia de Peña parecia uma tentativa de evitar um julgamento político, já que, segundo a Constituição paraguaia, ex-presidentes se tornam senadores vitalícios, a menos que sejam considerados culpados em um processo de impeachment.
Reação do presidente e alegações de conivência
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Peña pediu desculpas à população que perdeu acesso aos seus fundos e justificou sua renúncia como uma medida necessária para a estabilidade do país e a preservação das instituições democráticas. Ele afirmou: “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”. Entretanto, a oposição criticou a ação de Peña, alegando que sua saída do cargo visa evitar responsabilidades legais relacionadas à crise do banco ueno.
A crise no ueno, que encerrou suas atividades no dia 3 de novembro, deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos seus recursos, totalizando aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social. A declaração de Peña sobre a responsabilização dos culpados pelas irregularidades financeiras foi feita em um momento delicado, com a Procuradoria já emitindo mandados de prisão para executivos do banco.
A pressão crescente e as implicações para o futuro
O clima no Congresso esquentou com a retirada de apoio de figuras chave do Partido Colorado, sigla de Peña, como Horário Cortes e Basilio Nuñez. O presidente, economista conservador, havia tomado posse em 2023, com previsão de mandato até 2028, e é conhecido por suas relações com líderes internacionais, incluindo o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
A crise bancária no Paraguai não apenas afetou o governo de Peña, mas também levantou preocupações sobre a estabilidade do sistema financeiro do país. Enquanto isso, a Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) assegurou que as instituições financeiras estavam operando normalmente, apesar do grande fluxo de clientes transferindo suas contas do ueno.
A situação continua a se desenvolver, com a população aguardando a resolução dos problemas financeiros e as implicações legais para os envolvidos na crise.







