Mais do que simples entretenimento para os fãs de velocidade, a principal categoria do automobilismo mundial funciona como um verdadeiro centro de testes para a engenharia automotiva, desenvolvendo inovações que posteriormente chegam aos veículos de passeio.
Câmbio com trocas no volante
Se você já reparou em duas abas localizadas na parte traseira do volante, provavelmente sabe que elas servem para passar as marchas, principalmente em automóveis automáticos. Esse mecanismo teve origem na Fórmula 1.
Antes de 1989, os competidores utilizavam uma caixa de quatro marchas tradicional, exigindo o acionamento da embreagem de forma semelhante aos veículos manuais.
A inovação estreou em um modelo da Ferrari guiado na temporada de 1990, idealizado pelo projetista John Barnard. O sistema semiautomático trazia ganho de tempo e, em 1997, já aparecia em versões comerciais da marca italiana.
Atualmente, o recurso deixou de ser exclusividade e aparece em veículos bastante acessíveis, como o Volkswagen Polo Sense, uma das opções mais econômicas da categoria hatch.
Recuperação de energia em híbridos e elétricos
Os automóveis eletrificados ainda representam uma novidade no mercado. Além de cortarem ou reduzirem a emissão de poluentes, todos os híbridos e elétricos comercializados no Brasil contam com um mecanismo que capta energia durante as desacelerações para alimentar a bateria.
A novidade estreou na categoria em 2009 sob a nomenclatura KERS. Naquela época, o gerador elétrico operava ao contrário para acumular eletricidade, servindo como um impulso suplementar.
Embora a base permaneça a mesma, atualmente cerca de 50% da força de um monoposto vem da eletricidade. O propósito vai além do desempenho, visando também a diminuição de gastos com combustível e a queda na emissão de poluentes.
O KERS serve como fundamento para o funcionamento de veículos eletrificados, que aproveitam o sistema para ajudar na frenagem e reaproveitar a força que seria desperdiçada em forma de calor nas pastilhas. O mecanismo está presente desde o elétrico mais acessível do país, o Renault Kwid, até utilitários e sedãs de luxo.
Transitar pela descida da serra entre a capital paulista e o litoral pode render mais de 40 km de autonomia apenas com a energia regenerada pelo sistema — capacidade que depois é gasta no trajeto de volta.
Aerodinâmica ativa e variável
Um mecanismo frequente nas pistas é a asa móvel, projetada para modificar a aerodinâmica do veículo conforme a situação, gerando mais sustentação nas curvas e menor resistência nas retas para garantir maior eficiência.
Embora essa tecnologia ainda não seja encontrada em hatches populares como o Polo, fabricantes como a Porsche já aplicam aerofólios que se elevam sozinhos para conferir estabilidade em altas velocidades.
Como a meta principal é elevar o rendimento dinâmico, a aerodinâmica variável marca presença com mais força em veículos esportivos do que em linhas de grande volume.
Controle de tração
Disponível até mesmo no compacto mais econômico do mercado nacional, o controle de tração foi criado para as pistas entre as décadas de 1980 e 1990, ganhando fama na equipe Williams guiada por Nigel Mansell, atuando para cortar a força do motor ao identificar derrapagens.
Apesar de banido das competições atuais, o item se tornou obrigatório por lei em todos os veículos novos comercializados no Brasil a partir de 2024, com foco total na segurança viária.
Nas ruas, o equipamento entra em ação para preservar a estabilidade em curvas fechadas ou manobras bruscas, corrigindo a trajetória sempre que o esterçamento do volante não coincide com o rumo efetivo do automóvel.
Telemetria e sensores
No tocante aos sensores, diversos dispositivos já integram o cotidiano dos motoristas para monitorar múltiplos aspectos mecânicos e operacionais do veículo.
Mesmo versões mais econômicas trazem componentes como medidores de pressão dos pneus, alertas na injeção para combater problemas com o combustível, indicadores de eficiência energética e medidores do nível de óleo ou gasolina.
A coleta dessas estatísticas orienta as táticas das escuderias e teve origem nas pistas. Hoje, grande parte desses instrumentos equipa utilitários esportivos como Hyundai Creta, Chevrolet Tracker e Volkswagen Tera.
Em algumas linhas mais sofisticadas, o condutor consegue acompanhar essas estatísticas diretamente pelo smartphone através de softwares dedicados. No esporte a motor, esses parâmetros são acompanhados em tempo real em centrais de comando para direcionar manobras sem a necessidade de paradas imprevistas nos boxes.







