O Porto de Navegantes, um dos terminais de contêineres mais movimentados do Brasil, adotou uma tecnologia de ponta para capacitar seus novos colaboradores. Por meio de simuladores que replicam com fidelidade a rotina de trabalho, os profissionais aprendem a manusear equipamentos pesados enfrentando desafios reais, como ventos fortes, neblina, chuvas intensas e até falhas mecânicas inesperadas.
Eficiência e continuidade operacional
A implementação dos simuladores, realizada em junho deste ano, trouxe um ganho estratégico para o terminal catarinense. Além de proporcionar um ambiente de aprendizado seguro, a ferramenta permite que o treinamento ocorra sem a necessidade de paralisar a movimentação de cargas, evitando prejuízos à cadeia logística.
“O porto faz movimentações durante todo dia, é 24 horas, sete dias por semana, a operação não para. Navio não pode parar. O portador, demanda a carga dele, então o terminal não para”, resumiu Fisher.
Tecnologia aplicada ao treinamento
O complexo portuário, que movimenta anualmente mais de 1 milhão de TEUs e gera 10 mil empregos diretos, investiu em quatro tipos de simuladores. O conjunto inclui estações para carretas, empilhadeiras e dois modelos de guindastes: o ship-to-shore (portêiner), responsável pela carga e descarga de navios, e o Rubber Tyred Gantry (transtêiner), focado na organização das pilhas de contêineres.
O processo de formação é rigoroso e estruturado em etapas: 16 horas de teoria, 40 horas de prática em simuladores e 184 horas de operação assistida em máquinas reais. O gerente de tecnologia portuária, Jardel Fisher, destaca que os equipamentos são customizados para refletir a realidade do terminal:
“Quando você compra, especifica esse simulador. Você vai dizer: ‘Olha, eu trabalho com os guindastes de tal fabricante e com tal tecnologia naqueles guindastes’. Então, ele pode vir já customizado para apresentar o nível de realismo mais próximo da realidade operacional dos equipamentos que nós já trabalhamos”, completa Fisher.
Segurança e prevenção de acidentes
O uso de joysticks, volantes e assentos que reagem fisicamente ao balanço dos cabos de aço e à movimentação das máquinas proporciona uma imersão completa. Essa precisão tecnológica não serve apenas para o aprendizado operacional, mas atua diretamente na redução de riscos no ambiente de trabalho.
“Eu vou criar exercícios simulados que talvez na prática seriam muito complexos, muito arriscados de ele exercitar isso e efetivamente ter um acidente real acontecendo”, disse Fisher.
Segundo o gerente, o investimento traz resultados concretos para o setor: “Há estudos que dizem que reduz em até 35% o número de acidentes por conta de operadores não capacitados irem para uma operação real sem a devida capacitação”. Com essa iniciativa, o Porto de Navegantes reforça seu compromisso com a eficiência logística e a segurança de sua força de trabalho.







