Para o economista Tiago Cavalcanti, professor titular da Universidade de Cambridge, o governo brasileiro precisa adotar medidas críveis voltadas a um ajuste fiscal gradual nos próximos anos, visto que não existem soluções fáceis para equilibrar as contas públicas e reduzir os juros no país.
Anúncio da equipe econômica e apoio político Segundo o especialista, a primeira etapa essencial consiste em anunciar rapidamente uma nova equipe econômica formada por nomes comprometidos com o equilíbrio fiscal, além de assegurar o necessário respaldo político para o grupo.
“Você pode fazer o compromisso de longo prazo. Então, não precisa cortar [de uma vez], vamos suavizar isso ao longo dos anos”, propõe.
Mudanças nas regras do salário mínimo Cavalcanti avalia que o controle dos gastos não entra em conflito com o compromisso assumido de preservar programas sociais, mas ressalta ser indispensável alterar a regra de reajuste do salário mínimo acima da inflação durante períodos de crescimento econômico.
Na perspectiva do acadêmico, enquanto a estabilidade fiscal não for alcançada, o governo deveria assegurar apenas a reposição da inflação, lembrando que o piso salarial impacta fortemente as despesas da União por servir de base para aposentadorias, pensões do INSS e o BPC.
“Eu acho que recuperar o poder de compra [reajustando o salário mínimo pela inflação] é possível. Agora, quando você promete, além de recuperar o poder de compra, dar aumentos acima da inflação, e isso vai ter repercussões em todos os salários, aposentadorias, etc, já acho que começa a não ser mais compatível [com o ajuste fiscal]”, disse.
Riscos de pressões sobre a taxa de juros O professor também manifesta preocupação com propostas de reduções abruptas na taxa básica de juros, comparando a situação a episódios internacionais de instabilidade econômica.
“Houve países que experimentaram isso, por exemplo a Turquia, onde teve muita pressão do [presidente] Erdogan, a taxa de juros caiu bastante em um período bem curto e o país foi para um nível de hiperinflação em pouquíssimo tempo”, afirma.
“É difícil você pensar em evidência empírica [que sustente essa proposta]”, reforçou.
Ancoragem de expectativas e estabilidade O especialista reforça que a credibilidade e a previsibilidade são fundamentais para evitar reações negativas do mercado financeiro, proteger o câmbio e garantir um ambiente favorável aos investimentos de longo prazo no Brasil.







